Mudança de Atitude Versão para impressão Enviar por E-mail

 

Muito se tem falado sobre empreendedorismo e, por conseqüência quase que natural, da empregabilidade. Essa última palavra, já desgastada, mas ainda nova, está implícita no processo empreendedor. Sobre o tema, muitos estudos têm sido feitos e aprofundados, chegando a ter uma vasta bibliografia. Um desses tantos nomes é o Ph.D. Louis Jacques Filion, titular da cadeira de empreendedorismo de uma universidade de Montreal (Canadá), que vê o Brasil como um país promissor no desenvolvimento de empreendedores. Filion ressalta, entre outras coisas, que nós, brasileiros, não temos autoconfiança e tampouco confiança em terceiros, características necessárias para dar a largada e ser campeões na arte de empreender.

Vale lembrar que desde a Antigüidade, teoria e prática são dicotômicas. E mais do que um celeiro vasto e um terreno propício para o plantio da semente empreendedora, talvez o Brasil seja um dos maiores representantes do divórcio entre a teoria e a prática. Evidentemente que não é um mal sem cura, mas é uma doença grave. E sem perspectivas de cura a curto prazo, a julgar pelas ações ou pela falta delas, no sentido de dar um pequeno passo para uma mudança de postura que viabilize novos resultados no país.  Na Copa do Mundo de 2006, um locutor esportivo disse que a Seleção Brasileira havia perdido por falta de atitude, expressão que se tornou corrente.

Tudo agora é falta de atitude, tanto que ao perfil empreendedor deve-se associar à atitude como um pré-requisito, condição sine qua non à busca de resultados. Porém, para se ter atitude assertiva, é preciso ter conhecimento e habilidade naquilo que se pretende trabalhar. Deveria ser óbvio dizer que ao empreendedor, como a quaisquer outros profissionais, no mínimo, responsabilidade social e ética são ações obrigatórias que permeiam o desempenho de suas atividades. Empreendedorismo não é tema de formação superior ninguém se gradua em empreendedorismo. E as escolas superiores não formam seus alunos para serem empreendedores; ao contrário, formam profissionais que não têm o conhecimento mais elementar do que venha a ser uma empresa, seus elevados encargos, polpudos impostos e abusivas e diversificadas taxas. Muitos profissionais não sabem como preencher uma nota fiscal porque não aprendem na escola.  Existia também (prefiro pensar que é coisa do passado) uma idéia de que o ato empreendedor era uma atitude isolada, de alguém que possuísse mais ousadia e conhecimento sobre algum tipo de negócio - uma característica inata.

Outra imagem errônea é a de que só empreende aquele que é patrão. Essas visões são preocupantes, mas talvez aí resida a possibilidade de introduzir uma nova concepção que deixe claro  que as escolas profissionalizantes estão contribuindo para a formação e desenvolvimento de empreendedores. Nesse cenário, destacamos os cursos tecnológicos, por acreditar que tenham mais do que um papel, uma missão fundamental nessa nova construção, pois, num mundo empregos em queda, quaisquer organismos que estejam imbuídos de ações que viabilizem a formação de profissionais com o perfil empreendedor serão de fundamental importância para a retomada do equilíbrio social. Daí acreditarmos também que esta nova modalidade d curso superior terá uma trajetória de crescimento e sucesso muito acima das previsões.  

Desfazendo o mito, lembramos que o empregado deve ser tão empreendedor quanto o patrão pois a ótica atual altera a imagem do funcionário para a de colaborador e cria um novo perfil que exige dele um comprometimento sobre geração de atividades e processos.

Patrão e empregado não são gato e rato, convivem no mesmo ambiente; também não são concorrentes como nos parece em algumas organizações; são membros da mesma equipe, do mesmo time,e não adversários. Empregabilidade e empreendedorismo , repito, não são fatos novos; vêm de eras remotas, dos primeiros comerciantes. Empreendedor da sociedade pós-moderna não se distancia muito daquele antigo, pois, felizmente, constata-se em suas atitudes o resgate do humanismo que acentua a supremacia do homem sobre a organização.

  

Sérgio Marchetti - Coordenador do área de educação e pedagogia da Faculdade de Tecnologia da Comércio (BH)

 

Publicado no Caderno OPINIÃO do Jornal Estado de Minas - abril/2007